Sumário
- Abertura
- 1O tempo da pressa
- 2O que é marca
- 3Da mercadoria à marca
- 4A tríade
- 5Posicionamento singular
- 6Mensagem clara e atraente
- 7Ecossistema de valor
- 8Essência e forma
- 9Coragem
- 10Quando as marcas esquecem
- 11A Serra Gaúcha como prova
- 12Marca gera valor
- 13Doze princípios
- Bibliografia comentada
- Referências
Marca não se fabrica. Se cultiva.
Vivemos o tempo da pressa. Marcas que mudam de discurso a cada trimestre, correm atrás da próxima trend e estão em todos os canais sem ficar na memória de ninguém. Nós recusamos esse jogo. Acreditamos que marca não se fabrica, se cultiva: com decisões coerentes, tomadas todos os dias com cuidado e constância, até virar aquilo que fica gravado nas pessoas muito depois que o anúncio acaba.
Resistir ao tempo não é apenas durar. É ter coragem de ir contra o status quo do seu momento, escolher uma posição e sustentá-la mesmo quando ela ainda parece estranha. São essas marcas que continuam vivas quando as tendências passam.
Este texto reúne o que aprendemos em mais de 100 projetos e o que dizem os autores que mais estudaram o assunto, de Peter Drucker a David Aaker e Jim Collins. Ele segue o caminho da nossa tríade: o que é marca, como ela deixa de ser mercadoria, como se posiciona, como fala, onde vive e o que precisa proteger para durar. No fim, estão os doze princípios que usamos nos projetos, a bibliografia comentada e todas as referências.
O tempo da pressa
Métricas diárias, campanhas de uma semana, a trend que precisa ser aproveitada hoje. A pressa é compreensível: o resultado de curto prazo aparece rápido no painel, e o de longo prazo demora a aparecer. O problema é que ela costuma sair cara.
Em 2013, os pesquisadores Les Binet e Peter Field analisaram 996 campanhas inscritas no prêmio de eficácia do IPA, o instituto britânico das agências de publicidade, entre 1980 e 2010568. A conclusão virou referência mundial: a melhor divisão de investimento ficou em torno de 60% para construção de marca e 40% para ativação de vendas. O relatório alertava que o mercado caminhava para um precipício ao olhar só para métricas de curto prazo69.
Cinco anos depois, os autores voltaram aos dados6. A divisão ideal quase não mudou, 62:38. Mas a fatia de campanhas de curto prazo tinha crescido, e o número de campanhas com efeitos de negócio muito grandes tinha caído69.
Jim Collins encontrou o mesmo padrão olhando para a gestão. As empresas que passaram de boas a excelentes não tiveram um momento mágico: empurraram um volante pesado, volta após volta, até ele ganhar impulso. As empresas de comparação pulavam de programa em programa, mudavam de direção o tempo todo e nunca acumulavam força. Collins chamou esse padrão de ciclo da ruína966.
Em Great by Choice, escrito com Morten Hansen, ele deu outro nome à mesma disciplina: a marcha das 20 milhas. Empresas que prosperam em ambientes instáveis definem uma meta exigente e a cumprem com consistência, ano após ano, em tempos bons e ruins1166.
Jeff Bezos resumiu a lógica numa conferência em 2012. Mais útil do que perguntar o que vai mudar nos próximos dez anos, disse ele, é perguntar o que não vai mudar, e construir a estratégia em cima disso64. É uma boa pergunta para qualquer marca: o que, no seu negócio, as pessoas vão continuar querendo daqui a dez anos?
O que é marca
No nosso manifesto, marca é aquilo que fica gravado nas pessoas muito depois que o anúncio acaba. A frase é poética, mas a definição tem base sólida.
David Aaker, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos nomes mais influentes do branding, definiu em 1991 o valor de marca, o brand equity, como um conjunto de ativos ligados ao nome e ao símbolo da marca: reconhecimento, qualidade percebida, associações e lealdade1. Esses ativos somam valor ao que o produto entrega, ou tiram valor dele. Uma marca é, antes de tudo, um patrimônio.
Dois anos depois, Kevin Lane Keller mostrou de onde vem esse patrimônio: do conhecimento que o cliente tem da marca20. Quanto mais ela é lembrada e reconhecida, e quanto mais fortes, favoráveis e únicas são as associações que desperta, mais as pessoas respondem a ela. Sem memória, não há marca. Há só produto.
Keller depois organizou essas ideias numa pirâmide de construção de marca, que começa na lembrança e termina na ressonância: o ponto em que o cliente sente que tem uma relação ativa com a marca21.
O Ehrenberg-Bass Institute, liderado por Byron Sharp, chegou ao mesmo ponto pelos dados de compra. Marcas crescem quando são lembradas em mais situações de compra, o que Sharp chama de disponibilidade mental, e quando são fáceis de comprar, a disponibilidade física30. Jenni Romaniuk, do mesmo instituto, mostrou que cores, formas, símbolos e sons próprios funcionam como atalhos para essa memória: são os ativos distintivos de uma marca29. Uma das leis mais antigas desse grupo de pesquisa, o duplo risco, mostra por que isso importa: marcas pequenas sofrem duas vezes, porque têm menos compradores e esses compradores são um pouco menos fiéis13.
A psicologia explica o mecanismo. Em 1968, Robert Zajonc mostrou que a simples exposição repetida a algo aumenta a preferência por ele35. Décadas depois, Daniel Kahneman mostrou que boa parte das nossas decisões é rápida e intuitiva, e favorece aquilo que vem fácil à mente17. Quem já está na memória sai na frente.
Quatro jeitos de dizer a mesma coisa
- Aaker
- Marca é um conjunto de ativos que soma valor ao produto.
- Keller
- Marca é o conhecimento que o cliente guarda sobre ela.
- Sharp
- Marca é estar na cabeça e ao alcance na hora da compra.
- Cooltivo
- Marca é tudo isso, cultivado com coerência ao longo do tempo.
Marca a serviço do negócio
Peter Drucker, o pensador que praticamente inventou a administração moderna, escreveu em 1954 que existe uma única definição válida para o propósito de uma empresa: criar um cliente. Por isso, dizia ele, toda empresa tem duas funções básicas, e só duas: marketing e inovação1267.
A consequência é direta. Marca não é verniz sobre o negócio, nem um departamento que cuida do logo. É o jeito como a empresa cria e mantém clientes ao longo do tempo. A inovação mantém a marca viva; o marketing a mantém na memória. É por isso que dizemos que construímos marca, conteúdo e comunicação a serviço do negócio.
Da mercadoria à marca
Uma mercadoria compete por preço. Uma marca compete por significado. O caminho de uma para a outra raramente passa por mudar o produto: passa por dar a ele uma ideia que as pessoas reconhecem, lembram e escolhem. Quatro histórias mostram como isso acontece.
Havaianas
Lançada pela Alpargatas, a sandália de borracha ficou associada ao público de baixa renda nos anos 1980 e 1990, o que ameaçou sua presença nas lojas. Na década de 1990, novas cores, modelos e celebridades, sob o slogan "todo mundo usa", mudaram o significado sem mudar o produto59. Hoje são cerca de 200 milhões de pares por ano60.
O produto ficou igual. O que ele dizia sobre quem usa mudou.
Granado
Aberta no Rio de Janeiro por um farmacêutico português, recebeu de Dom Pedro II, em 1880, o título de Farmácia Oficial da Família Imperial. Comprada em 1994 por Christopher Freeman, transformou a herança em marca: comprou a Phebo em 2004, abriu loja em Paris em 2017 e em Nova York em 202456.
A história, bem contada, virou o diferencial.
Michelin
Os irmãos André e Édouard Michelin lançaram um guia gratuito para estimular viagens de carro numa França que tinha menos de 3 mil automóveis. O guia passou a ser pago em 1922 e ganhou as estrelas em 192643. Uma fabricante de pneus virou a principal referência gastronômica do mundo.
O valor criado ao redor do produto pode ser maior que o próprio produto.
Hermès
Começou em Paris como uma oficina de arreios para cavalos. O produto mudou por completo, mas o ofício ficou: as bolsas são feitas à mão, sem linha de montagem, e alguns processos levam até seis anos para serem dominados45.
O que se vende muda. O jeito de fazer, não.
Nas quatro histórias, o produto mudou pouco, ou mudou de tudo, e mesmo assim a marca seguiu reconhecível. O que sustentou cada uma foi uma ideia clara sobre o que ela representa. É por essa ideia que começa todo trabalho de marca, e é dela que tratam os próximos capítulos.
A tríade da construção de marca
Toda marca forte que estudamos resolveu três questões: que posição ocupa, o que diz e onde vive. Organizamos essas três escolhas numa tríade. No centro, o resultado de acertar as três: uma marca que gera valor para o negócio.
A tríade conversa com os dois modelos de medição de marca mais usados no mundo. A Kantar avalia se uma marca é significativa, diferente e saliente, ou seja, se atende a necessidades reais, se é percebida como única e se vem à mente na hora da compra18. O BrandAsset Valuator, criado pela Young & Rubicam, mede diferenciação, relevância, estima e conhecimento, e chama de vitalidade a soma das duas primeiras34.
O nosso posicionamento singular usa dois desses critérios, diferente e relevante, e acrescenta um terceiro que os modelos não medem: verdadeiro. Uma posição pode ser diferente e relevante por um tempo sem ser verdadeira. Mas promessa que a empresa não sustenta na prática não atravessa o tempo. A saliência, por sua vez, não aparece como critério porque é resultado: ser lembrado na hora da compra é o que a mensagem e o ecossistema produzem quando trabalham juntos, por anos.
| Elemento | O que significa | Base teórica | Quem fez |
|---|---|---|---|
| Verdadeiro | A posição nasce do que a empresa é e faz | Ideologia central (Collins e Porras); identidade (Aaker; Kapferer) | Volvo, Hermès |
| Diferente | Uma escolha que ninguém mais ocupa, com renúncias claras | Posicionamento (Ries e Trout); estratégia (Porter) | Volkswagen, Apple |
| Relevante | A posição importa para quem compra, hoje | Relevância (Aaker); significativa (Kantar) | Havaianas, Natura |
| Mensagem clara | Uma ideia simples, fácil de lembrar e repetir | Ideias que grudam (Heath e Heath) | Nike |
| Mensagem atraente | Emoção e criatividade que fazem a ideia ser notada | Eficácia emocional (Binet e Field) | Apple, Patagonia |
| Ecossistema | Canais, conteúdo e comunidade ao redor do produto | Disponibilidade (Sharp); comunidades (Muniz e O'Guinn) | Michelin, Harley-Davidson, Sicredi |
| Marca gera valor | Preço premium, preferência e longevidade | Brand equity (Aaker; Keller) | Apple |
Posicionamento singular
Em 1972, dois publicitários americanos, Al Ries e Jack Trout, publicaram uma série de artigos que mudaria o marketing. Nove anos depois, ela virou o livro Positioning27. A ideia central era simples: o posicionamento não acontece no produto, acontece na mente do cliente. Num mercado saturado de mensagens, vence quem ocupa uma posição simples, clara e sua.
Michael Porter, de Harvard, completou o raciocínio em 1996, num dos artigos mais citados da história da estratégia26. Ele mostrou que copiar as melhores práticas dos concorrentes deixa todo mundo igual. Estratégia, para Porter, é escolher um jeito diferente de competir, e isso exige renúncias: decidir o que não fazer.
Jim Collins chamou essa escolha de conceito do porco-espinho, inspirado numa fábula grega: a raposa sabe muitas coisas, o porco-espinho sabe uma coisa grande. As empresas que deram o salto encontraram a interseção entre aquilo que as apaixona profundamente, aquilo em que podem ser as melhores do mundo e aquilo que move seu motor econômico966. David Aaker levou a ideia ao extremo em Brand Relevance: as maiores vitórias vêm de criar uma subcategoria nova, em que os concorrentes simplesmente deixam de ser relevantes3. Marty Neumeier e Youngme Moon chegaram ao mesmo ponto por outros caminhos: num mercado em que todos melhoram as mesmas coisas, se destaca quem escolhe ser radicalmente diferente2523.
Para nós, um posicionamento só é singular quando passa em três testes ao mesmo tempo.
Verdadeiro: a Volvo e a segurança
Simon Sinek popularizou a ideia de que as pessoas se ligam ao porquê de uma empresa, e não só ao que ela vende31. A Volvo é um dos melhores exemplos de um porquê sustentado na prática. Os fundadores da Volvo, Gustaf Larson e Assar Gabrielsson, definiram que, como carros são dirigidos por pessoas, o princípio por trás de tudo o que a empresa faz é, e deve continuar sendo, a segurança40. Em 1959, o engenheiro Nils Bohlin criou o cinto de três pontos, e a Volvo abriu a patente para as outras montadoras "no interesse da segurança"41. A empresa estima que o cinto já salvou mais de um milhão de vidas40.
Abrir a patente custou exclusividade. Em troca, comprou décadas de credibilidade. Posicionamento verdadeiro é o que a empresa faz, não o que ela diz.
Diferente: o Fusca que pensou pequeno
Em 1959, a indústria americana vendia carros grandes com anúncios de fantasia, e o Fusca ainda carregava a associação com a Alemanha nazista. A agência DDB, de Bill Bernbach, respondeu com "Think Small": o carro pequeno no meio de uma página quase vazia, um texto honesto e bem-humorado. Em 1999, a revista Advertising Age elegeu a campanha a melhor do século XX nos Estados Unidos44.
A Volkswagen não escondeu a diferença. Assumiu e fez dela a posição.
Relevante: a Natura e o seu tempo
Fundada em 1969 por Antônio Luiz Seabra, a Natura construiu a marca sobre a relação com a biodiversidade brasileira e a venda direta, adotada em 197461. Em 2014, tornou-se, segundo a própria empresa, a primeira companhia de capital aberto do mundo a receber o selo de Empresa B62. A posição fazia sentido para um consumidor que passou a perguntar de onde vêm os produtos que compra.
Mensagem clara e atraente
Uma posição só existe se as pessoas a entendem. A mensagem é o que leva o posicionamento da sala de reunião para a cabeça do cliente, e ela precisa de duas qualidades que raramente andam juntas.
Clara é a mensagem que cabe numa frase e pode ser repetida por qualquer pessoa. Chip e Dan Heath estudaram por que algumas ideias grudam e outras somem, e encontraram um padrão: as ideias que ficam são simples, inesperadas, concretas, críveis, emocionais e contadas como histórias15.
Atraente é a mensagem que faz a pessoa querer prestar atenção. Os dados de Binet e Field mostram que campanhas emocionais foram quase duas vezes mais propensas a gerar crescimento de lucro no longo prazo do que as racionais, e que campanhas que viram assunto, as de fama, geraram os maiores ganhos568.
Nike: três palavras por quase 40 anos
A Nike nasceu como Blue Ribbon Sports em 1964; a marca Nike e o swoosh surgiram em 1971. Em 1988, a Wieden+Kennedy criou "Just Do It". Nos dez anos seguintes, a participação da Nike no mercado norte-americano de calçados esportivos foi de 18% para 43%, e as vendas globais passaram de US$ 877 milhões para US$ 9,2 bilhões38. A frase segue em uso até hoje. A história de como a marca nasceu está em Shoe Dog, as memórias do fundador Phil Knight22.
Apple: dizer quem é antes de provar
Em 1997, com a Apple em crise, Steve Jobs recusou o slogan "We're back" porque, nas palavras dele, a empresa ainda não estava de volta. A TBWA\Chiat\Day criou "Think different" e o filme "Crazy Ones", com 17 figuras que mudaram o século XX. A campanha ganhou o Emmy de 1998 e o Grand Effie de 2000, e restaurou a aura contracultural da marca antes mesmo do iMac chegar às lojas36.
A Apple declarou seus valores antes de ter os produtos para prová-los. Depois, os produtos cumpriram a promessa. Clareza e atração, juntas, transformaram uma empresa em crise numa ideia.
Ecossistema de valor
Nenhuma marca vive só de anúncio. Ela vive nos lugares onde a pessoa a encontra, no que aprende com ela e nas relações que constrói ao redor dela. Chamamos esse conjunto de ecossistema: canais, conteúdo e comunicação trabalhando para criar relação, e não só alcance.
A disponibilidade física, de Sharp, é a parte mais concreta: estar à venda onde e quando a decisão acontece30. Mas a parte mais difícil de copiar é a relação. A pesquisadora Susan Fournier mostrou em 1998 que as pessoas se relacionam com marcas como parceiras de uma relação, com história, confiança e compromisso14. Albert Muniz e Thomas O'Guinn descreveram as comunidades de marca: grupos com senso de pertencimento, rituais e tradições próprios e responsabilidade mútua24.
O pesquisador Douglas Holt foi além e explicou por que algumas marcas viram ícones: elas oferecem histórias que ajudam as pessoas a lidar com as tensões culturais do seu tempo16. Nesse ponto, a marca deixa de ser fornecedora e passa a fazer parte da identidade de quem a usa.
Harley-Davidson
A marca criou o Harley Owners Group para ligar empresa, funcionários e clientes. O grupo passou de um milhão de membros e é creditado por ajudar a recuperar as vendas48.
Concorrentes copiam a moto. Não copiam o pertencimento.
Sicredi
O modelo cooperativo é um ecossistema por definição: os associados são, ao mesmo tempo, donos e clientes. A primeira cooperativa de crédito da América Latina nasceu assim, em Nova Petrópolis, e segue funcionando51.
Quando o cliente faz parte, a marca vira comunidade.
O Guia Michelin, que vimos no capítulo 3, é o exemplo mais antigo de conteúdo como ecossistema: mais de 120 anos de valor criado ao redor de um pneu43. É a mesma lógica que usamos quando planejamos a presença digital de uma marca: conteúdo que tenha valor por si só, e não apenas espaço para anunciar.
Essência e forma
Em 1994, Jim Collins e Jerry Porras publicaram o resultado de seis anos de pesquisa sobre empresas que atravessaram gerações870. Eles compararam 18 empresas visionárias com concorrentes da mesma época e do mesmo setor. De 1926 a 1990, as visionárias superaram o mercado de ações em 15 vezes; as de comparação, em 2 vezes.
A diferença não estava em um produto genial ou num líder carismático. Estava numa combinação aparentemente contraditória: preservar o núcleo e estimular o progresso. As empresas duradouras mantinham valores e propósito fixos e deixavam todo o resto aberto à mudança. Collins e Porras também mostraram que elas construíam relógios em vez de apenas dizer as horas: instituições que funcionam além de um líder.
Aaker levou a ideia para a marca em Building Strong Brands: toda identidade tem um núcleo, que permanece, e uma camada estendida, que se adapta2. Jean-Noël Kapferer descreveu a identidade como um prisma de seis faces, do aspecto físico à autoimagem de quem compra, que precisam continuar reconhecíveis mesmo quando a forma muda19.
LEGO: quando a forma se espalha, voltar ao núcleo
Fundada em 1932 por Ole Kirk Christiansen, a LEGO tirou o nome da expressão dinamarquesa "leg godt", brincar bem. Depois de se espalhar por parques temáticos e outros negócios, teve déficit de 1,4 bilhão de coroas em 2003 e prejuízo de 1,9 bilhão em 2004, com quase mil demissões42. A virada veio de volta ao núcleo: a empresa vendeu os parques, refocou no brinquedo central e lucrou 702 milhões de coroas já em 2005. No primeiro semestre de 2015, tornou-se a maior fabricante de brinquedos do mundo em receita42. A história é contada em detalhe em Brick by Brick28.
| Marca | Essência que ficou | Forma que mudou |
|---|---|---|
| Hermès, 1837 | Ofício artesanal e controle da família | De arreios para bolsas, lenços e moda |
| LEGO, 1932 | Brincar bem, o bloco como sistema | Filmes, jogos e parques, que foram vendidos para voltar ao bloco |
| Volvo, 1927 | Segurança como princípio dos fundadores | Do cinto de três pontos aos sistemas atuais |
| Michelin, 1889 | Mobilidade e confiança | Pneus, guias, mapas e estrelas gastronômicas |
| Sicredi, 1902 | Cooperar para crescer junto | De caixa rural a instituição financeira em 25 estados |
| Havaianas, 1962 | Sandália simples, brasileira, para todos | De produto popular a item de moda global |
O que já durou tende a durar
Nassim Taleb deu nome a um efeito curioso em Antifragile: para coisas que não perecem, como ideias e livros, cada ano de sobrevivência aumenta a expectativa de vida que ainda resta. Um livro que está em catálogo há 40 anos tende a continuar por mais 403265. É o efeito Lindy. Uma marca que preservou seu núcleo por décadas acumulou mais do que memória: acumulou prova de que merece continuar.
Coragem: resistir não é só durar
Há marcas que duram por inércia, e há marcas que resistem ao tempo. A diferença é coragem. As posições que atravessam gerações costumam nascer contra o padrão do seu momento, quando ainda parecem estranhas.
O Fusca pensou pequeno quando todos pensavam grande. A Apple preferiu celebrar quem pensa diferente a dizer que estava de volta. Em 2018, nos 30 anos de "Just Do It", a Nike colocou o jogador Colin Kaepernick no centro da campanha "Dream Crazy"; houve boicote nas redes, e mesmo assim a ação foi considerada bem-sucedida junto ao público da marca38. Uma posição firme aceita perder quem não é o seu público.
Patagonia: pedir para não comprar
Yvon Chouinard fundou a Patagonia em 1973 e, desde 1985, a empresa destina 1% das vendas a causas ambientais46. Na Black Friday de 2011, publicou no New York Times um anúncio com o título "Don't Buy This Jacket", pedindo que as pessoas pensassem duas vezes antes de comprar o que não precisavam47. Em 2022, Chouinard transferiu o controle da empresa para um fundo e uma organização dedicados a combater a crise climática46. Sua filosofia está em Let My People Go Surfing7.
Quando a marca age contra o próprio interesse imediato para cumprir o que diz, a coerência vira o melhor argumento de venda. É por isso que coragem é o primeiro dos três valores da Cooltivo, ao lado de clareza e criatividade.
Quando as marcas esquecem
Os fracassos mais citados do branding têm a mesma raiz: a empresa trocou o que as pessoas reconheciam, ou deixou de mudar o que precisava mudar. Três histórias cobrem os dois erros.
New Coke: trocar a essência
Com a participação caindo de cerca de 60% no pós-guerra para menos de 24% em 1983, a Coca-Cola mudou a fórmula. O novo sabor venceu os testes cegos, mas a empresa recebeu mais de 40 mil ligações e cartas de protesto. A fórmula original voltou 79 dias depois39.
O produto venceu o teste. Perdeu para a memória.
Tropicana: trocar a forma de uma vez
A nova embalagem custou mais de US$ 50 milhões com a campanha. As vendas caíram cerca de 20% em dois meses, e a empresa anunciou a volta da embalagem antiga em seis semanas50.
Quem apaga os sinais de reconhecimento some da gôndola.
Kodak: não mudar a forma
Um engenheiro da própria Kodak, Steven Sasson, criou o primeiro protótipo de câmera digital portátil em 1975. A empresa não fez da invenção o seu futuro e pediu recuperação judicial em janeiro de 2012, saindo dela no ano seguinte como uma empresa de imagem para negócios49.
Proteger a essência não é congelar a forma.
Jim Collins descreveu em How the Mighty Fall os cinco estágios pelos quais empresas líderes caem1066. A segunda coluna da tabela é a nossa leitura de como cada estágio aparece numa marca.
| Estágio, segundo Collins | Como aparece numa marca |
|---|---|
| 1. Arrogância nascida do sucesso | A empresa acha que a preferência é garantida e para de investir em memória |
| 2. Busca indisciplinada por mais | Extensões e novos públicos que diluem o que a marca significa |
| 3. Negação de risco e perigo | Sinais de perda de relevância explicados como problema do mercado |
| 4. Busca desesperada por salvação | Rebranding radical, slogan novo a cada ano, a campanha milagrosa |
| 5. Rendição à irrelevância ou à morte | A marca vira commodity, é vendida ou desaparece |
A Serra Gaúcha como prova
A metáfora do cultivo não é só poética para nós. Na região onde a Cooltivo nasceu, marcas centenárias convivem com a gente no dia a dia, e quase todas têm em comum o controle familiar ou cooperativo, a constância e a relação próxima com a comunidade.
Sicredi, Nova Petrópolis
O padre suíço Theodor Amstad e 19 pequenos produtores criaram a Caixa Rural de Nova Petrópolis, a primeira cooperativa de crédito da América Latina. Ela funciona até hoje como Sicredi Pioneira RS. A marca Sicredi foi adotada em 1992 e hoje está em 25 estados e no Distrito Federal, com mais de 5 milhões de pessoas51.
A essência de cooperar atravessou mais de um século.
Tramontina, Carlos Barbosa
Fundada por Valentin Tramontina, filho de imigrantes italianos, segue familiar mais de cem anos depois. Tem cerca de 10 mil funcionários, mais de 22 mil itens, oito fábricas e vendas em cerca de 120 países52.
Qualidade constante transformou um item de compra rotineira em marca.
Santa Clara, Carlos Barbosa
A cooperativa completou 110 anos em 202253 e é descrita como a mais antiga cooperativa de laticínios em atividade no Brasil. Reúne quase 5 mil famílias associadas54.
Tradição se renova com projetos novos, como o Plantando o Bem.
Aurora, Bento Gonçalves
Fundada por 16 famílias produtoras de uva, a Cooperativa Vinícola Aurora reúne hoje cerca de 1.100 famílias e faturou o recorde de R$ 874 milhões em 202555.
Dezesseis famílias viraram a maior vinícola do Brasil.
Marcas que atravessaram gerações
A linha do tempo reúne as marcas citadas neste texto pelo ano de fundação. As quatro da Serra Gaúcha nasceram num intervalo de apenas 29 anos, entre 1902 e 1931, e seguem ativas.
- 1837HermèsParis. De arreios para cavalos a bolsas e moda, sem abrir mão do artesanato.
- 1846YpiócaMaranguape (CE). Gerida pela mesma família por gerações até a venda para a Diageo, em 201258.
- 1870GranadoRio de Janeiro. De farmácia imperial a lojas em Paris e Nova York.
- 1880HeringBlumenau (SC). Os dois peixes do logo representam os irmãos fundadores57.
- 1886Coca-ColaAtlanta. A marca que provou que o significado vale mais que a fórmula.
- 1889MichelinClermont-Ferrand. Do pneu ao guia que define a gastronomia mundial.
- 1899KlabinComeçou com material de escritório e virou uma das maiores produtoras de papel e celulose do mundo63.
- 1902SicrediNova Petrópolis. A primeira cooperativa de crédito da América Latina.
- 1903Harley-DavidsonMilwaukee. Uma comunidade com mais de um milhão de membros.
- 1911TramontinaCarlos Barbosa. Familiar e presente em cerca de 120 países.
- 1912Santa ClaraCarlos Barbosa. A mais antiga cooperativa de laticínios em atividade no Brasil.
- 1927VolvoGotemburgo. Segurança como princípio desde os fundadores.
- 1931AuroraBento Gonçalves. De 16 famílias à maior vinícola do Brasil.
- 1932LEGOBillund. Voltou ao bloco para virar a maior fabricante de brinquedos do mundo.
- 1962HavaianasAlpargatas. Mudou o significado sem mudar o produto.
- 1964NikeNasceu como Blue Ribbon Sports. "Just Do It" desde 1988.
- 1969NaturaSão Paulo. Biodiversidade brasileira como posicionamento.
- 1973PatagoniaCalifórnia. Pediu para não comprar e ganhou confiança.
- 1976AppleCalifórnia. A marca mais valiosa do mundo pelo 13º ano seguido em 2025.
Marca gera valor
No centro da tríade está o resultado: uma marca que gera valor para o negócio. Esse valor aparece em números.
A Kantar mostra que marcas que são ao mesmo tempo significativas, diferentes e salientes capturam mais volume, cobram preço premium e têm mais potencial de crescer. As pessoas pagam mais por marcas que veem como significativamente diferentes: 37% a mais entre consumidores guiados por marca, e 14% a mais até entre os guiados por preço18.
O ranking da Interbrand de 2025 colocou a Apple no topo pelo 13º ano seguido, com a marca avaliada em US$ 470,9 bilhões, à frente de Microsoft, Amazon, Google e Samsung37. E as empresas visionárias de Collins e Porras, que preservaram o núcleo por décadas, superaram o mercado em 15 vezes8.
Para a maioria das empresas que atendemos, o valor não aparece em ranking global. Aparece em coisas mais próximas: um preço que o cliente aceita sem pedir desconto, a preferência na hora da cotação, o talento que quer trabalhar ali, o negócio que passa para a próxima geração. É esse valor que o cultivo constrói.
Doze princípios para cultivar uma marca
David Aaker reuniu os seus vinte princípios de construção de marca em Aaker on Brands4. Os nossos são doze: tudo o que está neste texto, transformado em decisões que levamos para os projetos da Cooltivo.
Separe essência de forma antes de mudar qualquer coisa
A essência se protege; a forma se renova. LEGO e New Coke mostram os dois lados.
Escolha uma posição e renuncie ao resto
Sem renúncia, não há posição. Porter, Ries e Trout.
Teste a posição com três perguntas
É verdadeira? É diferente? É relevante para quem compra hoje?
Diga uma coisa só, do mesmo jeito, por muito tempo
Repetição coerente constrói memória. A Nike diz "Just Do It" desde 1988.
Proteja os ativos distintivos
Cor, símbolo, som e personagem são atalhos de memória. Os peixes da Hering estão lá desde 1880.
Invista no longo prazo sem abandonar o curto
A referência é algo perto de 60% em marca e 40% em ativação.
Emocione antes de explicar
Campanhas emocionais geram mais lucro no longo prazo do que as racionais.
Faça a marca agir como fala
A prova vale mais que a promessa: a patente aberta da Volvo, o anúncio da Patagonia.
Crie valor ao redor do produto
Conteúdo, serviço e comunidade formam o ecossistema. Michelin, Harley-Davidson, Sicredi.
Tenha coragem de parecer estranho antes de parecer óbvio
As posições que duram costumam começar contra o padrão.
Meça a marca, não só a campanha
Lembrança, diferenciação, relevância e preço premium mostram se o cultivo funciona.
Proteja quem decide
Governança que preserva o núcleo protege a marca: Hermès, Tramontina, as cooperativas da Serra.
Bibliografia comentada
Vinte e seis livros sustentam esta tese. Separamos em três níveis: os essenciais formam a base; os complementares aprofundam cada capítulo; os de cases contam as histórias por dentro. Quando existe edição brasileira que confirmamos, ela aparece entre parênteses.
Essenciais
Complementares
Cases contados por dentro
Referências
As referências seguem a ABNT. Os números entre os parágrafos levam a cada fonte; as fontes on-line foram consultadas em 12 de outubro de 2026.
Livros e artigos
- AAKER, David A. Managing brand equity: capitalizing on the value of a brand name. New York: Free Press, 1991.
- AAKER, David A. Building strong brands. New York: Free Press, 1996.
- AAKER, David A. Brand relevance: making competitors irrelevant. San Francisco: Jossey-Bass, 2011.
- AAKER, David A. Aaker on brands: 20 principles that drive success. New York: Morgan James, 2014.
- BINET, Les; FIELD, Peter. The long and the short of it: balancing short and long-term marketing strategies. London: IPA, 2013.
- BINET, Les; FIELD, Peter. Effectiveness in context. London: IPA, 2018.
- CHOUINARD, Yvon. Let my people go surfing. New York: Penguin Press, 2005.
- COLLINS, James C.; PORRAS, Jerry I. Built to last: successful habits of visionary companies. New York: HarperBusiness, 1994.
- COLLINS, Jim. Good to great. New York: HarperBusiness, 2001.
- COLLINS, Jim. How the mighty fall. New York: HarperCollins, 2009.
- COLLINS, Jim; HANSEN, Morten T. Great by choice. New York: HarperBusiness, 2011.
- DRUCKER, Peter F. The practice of management. New York: Harper & Row, 1954.
- EHRENBERG, Andrew; GOODHARDT, Gerald; BARWISE, Patrick. Double jeopardy revisited. Journal of Marketing, v. 54, n. 3, p. 82-91, 1990.
- FOURNIER, Susan. Consumers and their brands: developing relationship theory in consumer research. Journal of Consumer Research, v. 24, n. 4, p. 343-373, 1998.
- HEATH, Chip; HEATH, Dan. Made to stick. New York: Random House, 2007.
- HOLT, Douglas B. How brands become icons: the principles of cultural branding. Boston: Harvard Business School Press, 2004.
- KAHNEMAN, Daniel. Thinking, fast and slow. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2011.
- KANTAR. Why and how should you measure brand equity? Disponível em: kantar.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- KAPFERER, Jean-Noël. The new strategic brand management. 5. ed. London: Kogan Page, 2012.
- KELLER, Kevin Lane. Conceptualizing, measuring, and managing customer-based brand equity. Journal of Marketing, v. 57, n. 1, p. 1-22, 1993. Disponível em: doi.org/10.1177/002224299305700101.
- KELLER, Kevin Lane. Strategic brand management. Upper Saddle River: Prentice Hall, 1998.
- KNIGHT, Phil. Shoe dog. New York: Scribner, 2016.
- MOON, Youngme. Different: escaping the competitive herd. New York: Crown Business, 2010.
- MUNIZ JR., Albert M.; O'GUINN, Thomas C. Brand community. Journal of Consumer Research, v. 27, n. 4, p. 412-432, 2001.
- NEUMEIER, Marty. Zag. Berkeley: New Riders, 2006.
- PORTER, Michael E. What is strategy? Harvard Business Review, v. 74, n. 6, p. 61-78, 1996.
- RIES, Al; TROUT, Jack. Positioning: the battle for your mind. New York: McGraw-Hill, 1981.
- ROBERTSON, David; BREEN, Bill. Brick by brick. New York: Crown Business, 2013.
- ROMANIUK, Jenni. Building distinctive brand assets. Melbourne: Oxford University Press, 2018.
- SHARP, Byron. How brands grow. South Melbourne: Oxford University Press, 2010.
- SINEK, Simon. Start with why. New York: Portfolio, 2009.
- TALEB, Nassim Nicholas. Antifragile: things that gain from disorder. New York: Random House, 2012.
- TROIANO, Jaime. As marcas no divã. São Paulo: Globo, 2009.
- WARC. Brand asset valuator (BAV). Disponível em: warc.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- ZAJONC, Robert B. Attitudinal effects of mere exposure. Journal of Personality and Social Psychology, v. 9, n. 2, pt. 2, p. 1-27, 1968.
Fontes dos cases e dados
- THINK different. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- MACTRAST. Apple world’s most valuable brand for 13th consecutive year. Out. 2025. Disponível em: mactrast.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- JUST Do It. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- NEW Coke. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- VOLVO CARS. Safety heritage. Disponível em: volvocars.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- THREE-POINT seat belt. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- THE LEGO Group. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- MICHELIN Guide. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- THINK Small. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- HERMÈS. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- PATAGONIA, Inc. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- PATAGONIA. Don’t buy this jacket, Black Friday and the New York Times. 25 nov. 2011. Disponível em: patagonia.com.au. Acesso em: 12 out. 2026.
- HARLEY Owners Group. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- KODAK. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- THE BRANDING JOURNAL. What to learn from Tropicana’s packaging redesign failure? Maio 2015. Disponível em: thebrandingjournal.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- SICREDI. Trajetória do Sicredi. Disponível em: sicredi.com.br. Acesso em: 12 out. 2026.
- TRAMONTINA. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- MUNDOCOOP. Cooperativa Santa Clara: 110 anos e o projeto Plantando o Bem. 2022. Disponível em: mundocoop.com.br. Acesso em: 12 out. 2026.
- JORNAL DO COMÉRCIO. Cooperativa Santa Clara espera atingir faturamento de R$ 3 bilhões em 2026. Jul. 2026. Disponível em: jornaldocomercio.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- MUNDOCOOP. Cooperativa Vinícola Aurora completa 95 anos com faturamento recorde de R$ 874 milhões. 2026. Disponível em: mundocoop.com.br. Acesso em: 12 out. 2026.
- CASA Granado. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: pt.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- CIA. Hering. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: pt.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- YPIÓCA. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: pt.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- HISTÓRIA DO MUNDO. História das Havaianas. Disponível em: historiadomundo.com.br. Acesso em: 12 out. 2026.
- HAVAIANAS. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- NATURA & Co. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- ECYCLE. Natura celebra 10 anos como Empresa B e é certificada pela quarta vez consecutiva. 2024. Disponível em: ecycle.com.br. Acesso em: 12 out. 2026.
- MERCADO & CONSUMO. Marcas brasileiras com mais de cem anos fazem aposta na inovação. 11 out. 2021. Disponível em: mercadoeconsumo.com.br. Acesso em: 12 out. 2026.
- TECHCRUNCH. Amazon founder Jeff Bezos talks AWS, innovation, customer service and space travel at re:Invent. 29 nov. 2012. Disponível em: techcrunch.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- LINDY effect. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
- COLLINS, Jim. Concepts: the hedgehog concept, the flywheel, twenty mile march, five stages of decline. Disponível em: jimcollins.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- HESS, Whitney. The purpose of a business is to create a customer. 13 ago. 2012. Disponível em: whitneyhess.com. Acesso em: 12 out. 2026.
- MURRELL, Alex. Les Binet and Peter Field: The Long and the Short of It (resumo). Disponível em: alexmurrell.co.uk. Acesso em: 12 out. 2026.
- IPA. The next chapter for The Long and The Short of It. 13 set. 2023. Disponível em: ipa.co.uk. Acesso em: 12 out. 2026.
- BUILT to Last: Successful Habits of Visionary Companies. In: WIKIPEDIA. Disponível em: en.wikipedia.org. Acesso em: 12 out. 2026.
Texto da Cooltivo Estúdio, outubro de 2026. Viu algum dado que mudou? Escreva para kaue@cooltivo.com.br.